Representantes de quatro curtas brasileiros participaram de debate na manhã de terça-feira

A atriz Andrea Dantas, do curta “Aquela mulher” (RJ), dirigido por Marina Erlanger e Cristina Lago, e os diretores Leo Tabosa, de “Dinho” (PE), João Herbert, de “Lapso” (AL), e Emanuel Lavor, de “As miçangas” (DF), participaram do debate com realizadores na manhã de terça-feira (27) no Hotel Sonata de Iracema, com mediação do jornalista Bruno Carmelo. Os curtas foram exibidos na noite de segunda-feira no Cineteatro São Luiz, como parte da Mostra Competitiva Brasileira de Curta-metragem.

Com uma carreira marcada por trabalhos no teatro, Andrea Dantas falou da oportunidade que teve de construir o personagem a partir dessa experiência. A atriz contou sobre a dinâmica de ensaios, que fez com que o elenco fosse um pouco autor também, construindo junto os personagens, e ressaltou o papel do teatro nessa construção, possibilitando uma forte interação do elenco. “Foram muitos ensaios antes de iniciarem as filmagens”, revelou. “Cinema pra mim é uma coisa sempre nova, porque sou de teatro, mas convivo muito com isso”.

O diretor Léo Tabosa destacou a influência de sua vida pessoal no cinema. “Meus filmes são recortes da minha infância, das minhas vivências no interior, no sertão. Eles sempre partem de um recorte de infância e de família”, pontuou. O curta “Dinho” foi filmado em uma comunidade chamada Vazantes, de Aracoiaba, município cearense, que conheceu em 2013. Léo Tabosa destacou ainda a parceria com o cineasta cearense Petrus Cariry. “Sempre admirei muito o trabalho do Petrus. O bom de trabalhar com ele é que, além de diretor de fotografia, ele é diretor, e isso ajuda bastante. “É um parceiro que contribui muito e espero continuar trabalhando com ele”, revelou.

A produção alagoana “Lapso” é uma história de vingança, de luto e de dor, como destaca o diretor João Herbert, que revelou ser fã do gênero policial e ser obcecado por forma. “A forma do filme tem que dar a melhor roupagem para aquilo que você quer transmitir”, disse o diretor, que precisou assumir também a produção do filme. Nesse papel, evitar excesso de filmagens foi uma forma de controlar os custos. “A gente fez uma coisa raríssima que foi filmar o roteiro. A gente sabia qual a duração que queria o filme, então foi uma forma de corresponder ao orçamento”.

Sobre “As miçangas”, do Distrito Federal, Emanuel Lavor, que assina a direção com Rafaela Camelo, o diretor contou que partiram de um lugar onde as atrizes se sentissem representadas. “Nó três estavamos numa toada de aborto, de algumas experiencias próximas, mas a escolha foi de ir para um lugar mais ensaístico, sem pesar muito a mão”. Acabou calhando para que eu me sentisse confortável de contar essa história de forma mais confortável, sem muitos dedos. Nesse ponto, Rafaela Camelo tem também essa sutileza. Um ponto destacado foi a utilização de falsas pistas. “Foi uma técnica que aproveitei de um exercício da  EICTV (Escola Internacional de Cinema e Televisão de Cuba)”. Um exemplo disso é a cobra. “Ela chega como um elemento de falsa pista, é muito mais um conflito atmosférico do que da história, elas estão com um conflito interno de que algo pode dar errado, dá aquela sensação de que algo ruim pode acontecer”.